As marcas em tempos de Covid-19

Bruno Rodrigues
Bruno Rodrigues
26 de agosto, 2020

Semelhante às crises anteriores, este período de incerteza oferece uma chance de reinvenção para as marcas.

Isso significa definir ou enfatizar, mais uma vez, o seu valor junto aos clientes, novos e antigos.

Hoje, cinco meses após o início da crise do coronavírus, o isolamento cobra seu preço. Além do impacto direto do vírus, as pessoas lutam contra a perda de conexão social. 

Na expectativa de retomar festas, eventos, reuniões e demais encontros, tivemos que buscar novas maneiras de nos conectar – desde chamadas por meio do Zoom, além de chats de vídeo a eventos transmitidos ao vivo. 

De alguma forma, porém, essas interações virtuais ainda parecem infinitamente mais mais voláteis e pobres, comparadas ao engajamento físico que tínhamos antes disso tudo acontecer. 

Para contextualizar essa diferença de sentimentos, devemos voltar um pouco e entender a dinâmica do cérebro humano. 

Mais de 60.000 anos de evolução e a natureza estabeleceu uma série de recompensas químicas para ajudar os humanos a evoluir, de maneira geral.

Quando realizamos exercícios, as endorfinas entram em ação; quando ajudamos outras pessoas, nosso cérebro libera serotonina; quando compartilhamos experiências com amigos, nosso cérebro libera oxitocina, que é o aumentando da sensação de apego, e por aí vai.

Embora experiências virtuais geralmente sejam divertidas, a evidência de casos de ansiedade e solidão, durante a pandemia, prova que essa forma forçosa de relacionamento nem sempre é eficaz e satisfatória para o nosso corpo.

Além do impacto devastador da crise do COVID-19 na saúde, as pessoas estão lutando contra a perda de conexão e identidade durante o isolamento. 

Mas como as experiências virtuais podem replicar, genuinamente, o contato humano do mundo real e compensar esse vazio de conexão?

CONSUMO NÃO É CRIAÇÃO

As experiências no mundo físico requerem uma participação ativa. Conforme interagimos, criamos conteúdo original. Nos sentimos felizes, ouvidos, conectados. 

Por outro lado, as experiências remotas podem parecer contidas e estranhas.

As limitações dessas interações virtuais podem nos deixar frustrados, e a comunicação virtual acaba nos guiando para o papel de meros espectadores. 

CONSTRUINDO UMA COMUNIDADE 

A pandemia alterou a maneira como tratamos a rotina. 

Nossa mentalidade em relação a abraçar novas experiências e o significado que tiramos dessas experiências fazem parte desta nova realidade.

E as comunidades que se formam em torno dessas experiências representam uma oportunidade para as marcas. 

Hoje, pessoas que têm mais tempo de ficar em casa e conseguem se planejar para produzir o seu próprio pão, por exemplo, é uma ótima referência deste momento. 

É encorajador que, nesta época estranha e assustadora, as pessoas tenham retomado um hábito tão antigo, herdado de gerações passadas, mas que havia se perdido.

Então, a partir deste novo normal, a marca pode reunir comunidades de nicho, formadas por padeiros ou de pessoas que levam isso apenas como um hobbie, facilitando uma infinidade de experiências interativas. 

Seja no TikTok ou Instagram, as plataformas implementam, a cada atualização, um robusto conjunto de recursos com o objetivo de manter todos envolvidos.

PENSE EM NOVAS FORMAS DE INTERAGIR

A interação social não está nada fácil. É um desafio encontrar maneiras de sair da nossa zona de conforto e segurança, especialmente quando estamos em regime de quarentena. 

Mas precisamos expandir, experimentar e encontrar novas maneiras de impulsionar o diálogo. 

Mais uma vez, as marcas podem ter o papel de facilitar isso.

Um bom exemplo é assistir a Netflix ou Amazon Prime reunido com amigos, todos juntos em uma sala do Zoom ou Google Hangout. 

Isso confere à todos a oportunidade de assistir, ao mesmo tempo, enquanto interagem e constroem uma conversa em torno desta experiência. 

Assim, podemos vivenciar algo que faríamos se estivéssemos todos reunidos na sala de casa: comentar, fazer piadas, rir e criar.

CONCENTRE-SE NO PROPÓSITO, NÃO NA PAIXÃO

O conselho de “perseguir sua paixão” pode parecer vazio.

Embora possa ser gratificante colocar energia em um projeto pelo qual você é apaixonado, os benefícios para quem busca um propósito são bem maiores. 

Em todo o mundo as pessoas estão presas em casa, com um tempo extra que não tinham antes.

Sendo assim, temos a real oportunidade de sair deste momento mais fortes e conectados a nós mesmos, nossa família e nosso círculo de amizades. 

As marcas podem e devem assumir a liderança nesta área, de buscar um propósito.

A pandemia deu início a uma espécie de experimento social, muito maior e mais impactante que qualquer edição de Big Brother. 

Para muitos, é um sinal de alerta. Para outros, uma oportunidade de reinvenção. 

PESQUISAS COMO FERRAMENTA

Partindo deste pressuposto, a pesquisa pode ser um facilitador para as marcas se reinventarem. 

A iniciativa permite que elas acompanhem as mudanças nos sentimentos dos consumidores, bem como nas expectativas dos consumidores em relação às marcas. 

Assim, é fundamental que empresas e marcas alinhem suas estratégias de marketing, comunicação e branding e mantenham o pipeline de inovação pronto, mesmo durante a crise.

Quem mais rapidamente entender isso, e oferecer a experiência certa para o consumidor – mesmo em circunstâncias excepcionais -, terá maior participação de mercado no longo prazo. 

As marcas mais inteligentes estão pensando não apenas neste momento de pânico, mas em seu posicionamento daqui pra frente.

O vazio que virá, devido a mudança, em massa, na maneira como as pessoas passam a viver suas vidas, precisará ser preenchido com maestria.

A brecha que se abre é a possibilidade das empresas se tornarem pilares de estabilidade em um mundo instável, onde a empatia será a principal referência de julgamento por parte do público.

Será que a sua empresa está pronta?

e você ficou com alguma dúvida ou curiosidade de como isso funcionaria, na prática, é só marcar uma conversa com a gente por aqui! 😉

Compartilhe esta notícia: